#Vida: SIMPLESMENTE IVÂNIA  || Alguns meses atrás anunciei que iria estar menos presente por aqui. Na prática já todos perceberam.
Não abandonei o barco. Não posso, e definitivamente não quero. Dei muito de mim ao longo de muitos anos neste projecto, de domingo a domingo. Noitadas inteiras, feriados, férias… Nunca foi mais importante que o meu filho, mas chegou a estar em primeiro lugar em muitas situações para com outras pessoas. Chegou a ser uma obsessão, uma dor de cabeça.
Por anos fui completamente apaixonada. Achava que era o que queria fazer da minha vida para sempre, e lutava, e insistia, e contornava, e fazia de tudo para dar sempre mais um passo em frente.
É por todo esse esforço e dedicação que o site continua no ar. Por respeito a mim, ao meu filho, aos que contribuiram e continuam a contribuir, e aos que nos visitam.

Há um ano comecei a sentir-me cansada.
Como sabem, estamos na era do Instagram, dos influenciadores, das celebridades digitais, e existem toneladas deles. No geral, os blogs, sites e afins começaram a ter quedas nas estatísticas. Normal. É muito mais prático e rápido visualizar unicamente imagens com ou sem legenda, com ou sem emojis. Ler tornou-se cansativo (não para mim, que cada vez gosto mais) na sociedade atual. E se não estava – nem nunca estive – no mesmo patamar da Leandra Medine, a queda era inevitável.

Comecei a desistir (achava eu que estava a desistir)… Só alguns meses depois, é que obtive respostas e todas as peças do puzzle se encaixaram.

Quando partilhei este post em Setembro passado, estava decidida em abordar temas que acreditava serem uma ajuda para alguém. Temas esses que me são muito pessoais. E continuo a acreditar que poderiam ajudar muito. Continuo a acreditar que seriam uma “boa aposta”. Mas mudei, da noite para o dia. Falar da minha vida pessoal, através de um post já não é mais “a minha cena”. Seja aqui, seja no facebook, como fiz inúmeras vezes. E portanto, comecei a cultivar o silêncio diariamente.

Pode parecer estranho mas, as grandes decisões da minha vida foram sempre tomadas assim: da noite para o dia. E essa mudança não é de facto uma mudança, mas sim uma descoberta.

Encontrei-me. Descobri a minha essência. Dei de caras, de corpo e alma com ela.
A vida já me tinha dado sinais, que ingenuamente ignorei. Mas quando algo nos pertence, não podemos ignorar eternamente. O universo arranja forma de nos abanar e demonstrar o caminho. E assim foi, e assim tem sido a cada dia.
Não somos nós que escolhemos os nossos sonhos ou missões. São os sonhos / missões que nos escolhem.

Quando o cansaço se começou a revelar, comecei a pintar. Foi assim por meses. Mas nada interpretei. Tudo começou a fazer mais sentido quando comecei uma vida nova. E poderia dizer tanto sobre isto! Foi um marco enorme. O atingir de um sonho. Um alívio.

Felicidade pura.

Aos 16 anos já me imaginava a viver sozinha. Claro que, com o nascimento do meu filho, o “viver sozinha” passou a ser uma metáfora. Até o ano passado nunca soube o que era ter a minha casa, nunca soube o que era ser responsável por tudo. Ser dona de casa, mãe, cozinheira, electricista, contabilista, blá blá blá… sozinha. Hoje sei, e passados seis meses, continuo a olhar para cada canto desta casa e a agradecer esta vida.
Não é casa própria, mas sei que nunca a irei esquecer. Será sempre especial por tudo o que passamos até chegar a ela. Por tudo o que sentimos e continuamos a sentir.

Adiante.

Esta nova vida, decifrou tudo o que estava até então, ilegível.
E trouxe à tona, a verdadeira Ivânia. Aquela que se sente grata todos os dias, que não compete com ninguém, que cria empatia com os outros, que não julga de modo algum, que sabe quem realmente é, e o que quer. Que sorri todos os dias, até mesmo para estranhos. A que encontrou a paz interior.
Nunca é tarde demais para nos transformarmos no melhor que podemos ser! Nunca.

“Os dois dias mais importantes da sua vida são o dia em que você nasceu e o dia em que você descobre por que você nasceu” – Mark Twain

Fartei-me do mundo cor de rosa da moda, já não me entusiasmava mais as novas coleções, pouco ou nada me importava se tinha ou não fotos para partilhar nas redes sociais com o “look do dia”. Até os PressDays foram ignorados por mim. Em outros tempos, era um entusiasmo as viagens à Bélgica para visitar as agências. Cada evento que surgia cá, era outra necessidade de presença, etc etc.
Descobri que a moda, foi/é uma paixão. Só e apenas. Gosto. Ponto.

O que amo verdadeiramente é criar, criar e criar.
E tal como a Google, Amazon, e companhias, aproveitei a minha garagem para criar o meu espaço de trabalho. Montei um atelier e, troquei as teclas do computador, e outras coisas mais, pelos pincéis e tubos de tinta, pela argila, pelo papel, pelas telas.

“Escolha um trabalho que você ama e nunca terá que trabalhar um dia sequer na vida” – Confúcio, filósofo

Hoje compreendo perfeitamente esta citação. Quando tenho disponibilidade para entrar às 7h da manhã no atelier, as horas voam sem dar conta. Sem olhar para o relógio. Porque o que ali faço é prazer. É amor.

E o melhor conselho que vos posso dar é, tentem encontrar o vosso propósito. E sigam-no, sem medos.

Fecho assim um ciclo. Senti que deveria partilhar convosco sobre o meu afastamento, a minha mudança, por consideração aos que me acompanham por anos, e que sempre manifestaram apoio, de algum modo.

Para quem sente algum carinho por mim, para os que de alguma maneira sentem curiosidade, ou seja o que for, podem me acompanhar aqui, no Instagram (a rede do momento, sabem como é).

Para os que tiverem interesse e curiosidade em conhecer, e até acompanhar o meu trabalho, espreitem a nova página do Facebook e/ou Instagram, sigam, e partilhem se quiserem. Agradeço todo e qualquer apoio.
Aproveito também para partilhar que, a minha primeira exposição como artista, está a decorrer no Porto (3-31 Março) no espaço cultural Gazua. Uma exposição coletiva, com o tema “Corpos que Falam”.

Obrigada!
Abraço, e até breve.

 

Founder, CEO & Editor-in-chief