#Sociedade: NIKE LANÇA PRO HIJAB – Lembra-se do Burkini?! || O burkini é uma peça de roupa que cobre o corpo da cabeça aos pés, permitindo que mulheres muçulmanas pratiquem desportos, como natação, respeitando a modéstia do corpo, que querem manter.

“Criei o burkini para dar liberdade às mulheres, para não tirá-la” Ahead Zanetti.

Esta peça de roupa deu liberdade às mulheres muçulmanas, que queriam praticar desporto, mas não eram capazes de fazê-lo até ao momento, por falta de roupas adequadas. Mas também deu a possibilidade de mulheres modestas e pessoas com cancro de pele, por exemplo, de irem a praia e aproveitar o momento.

O burkini sofreu críticas intensas na França, e foi banido.

A Nike, deu um grande passo e criou a Nike Pro Hijab. Os porta-vozes do produto são Amma Al Haddad (Halterofilista), Manal Rostom (Triathlete) e Zahara Lari (Patinadora Artística). Contudo, mulheres muçulmanas, têm competido com a hijab há já algum tempo, por isso o produto não é exatamente novo ou inovador. Mas o fato de que uma marca “grande” manufacturar um produto para as massas para estar à venda nas prateleiras em 2018, é algo novo.

Este produto provocou uma reação, mais uma vez, tendo várias pessoas expressando a sua opinião dizendo que a Nike estava a incentivar a opressão de mulheres, pedindo para boicotar a marca…

Não é a religião que oprime as mulheres. São os indivíduos que optam por usar a religião como forma de oprimir as mulheres. E essa é a diferença.

RELACIONADO: Campanha Publicitária Saint Laurent Sob Fogo

Muitas mulheres escolhem livremente fazer parte do Islamismo, e usar a hijab. Muitas mulheres escolhem fazer parte do Islamismo e não usá-la. E muitas mulheres querem usar a hijab porque são modestas e não querem mostrar os seus cabelos e decote. Todas essas escolhas são escolhas individuais que representam a diversidade e a liberdade de escolher a maneira como querem viver a sua vida.

A opressão de mulheres não tem haver com a religião, mas sim com os opressores que de vez em quando usam a religião para justificar as suas ações. Estes são os que devem sofrer recriminação e boicotes.

No entanto, estamos a entrar em caminhos perigosos desde que o Tribunal de Justiça, Tribunal da União Europeia, nesta terça-feira, decidiu que as empresas podem banir símbolos políticos, filosóficos ou religiosos, e que não constitui discriminação para os trabalhadores.

Não permitir uma escolha individual que seja feita de forma livre e respeitadora, é discriminação. Não permitir a prática de uma religião e o uso da hijab, é a discriminação.

As mulheres lutaram durante muito tempo para poderem usar um biquíni, uma saia curta, um crop top. E agora temos que lutar mais uma vez para usar roupas modestas e símbolos religiosos. É frustrante para dizer o mínimo.

Você tem o direito, de ser quem quer ser, e expressá-lo sem sofrer consequências que vêm de mentes e pontos de vista desinformados. Em vez de promovermos leis que limitam a liberdade das mulheres, devemos promover leis que protejam as mulheres, as suas escolhas e que responsabilizem os opressores.

Temos um longo caminho a percorrer, e esta decisão do Tribunal de Justiça é apenas mais um passo dado em direção ao passado, mostrando-nos que o patriarcado está vivo e de boa saúde.

Então vou deixá-los com esta citação de J.K. Rowling:

“Mantemos-nos juntos. Defendemos os mais vulneráveis. Desafiamos os fanáticos. Não deixamos o discurso baseado em ódio tornar-se algo normal. Defendemos as trincheiras.”

 

Owner of AvanHeart Cosmetics. Vegan, feminist, human rights fighter.